quinta-feira, 28 de julho de 2011

Questão de Opinião




Ficou triste e parou de escrever,
Enquanto achava que o mundo caía.
Sentia o peso de ter que viver,
Culpava-se se o outro sofria.
Orgulho já não tinha mais,
Paixão também não sentia.
Além de se achar incapaz,
Perdeu a fé na poesia.

Feio ele sempre foi,
Por mais que o outro negasse.
Em público recusava um oi,
A não ser que o momento implorasse.
Tudo tendia a dar errado,
Não escaparia nem se tentasse.
Decidira ficar parado
Até que a alegria o encontrasse.

Aí, sem motivo aparente, ele mudou de opinião.

Passou a ser bonito, cumprimentava alegremente.
Começou a passar reto pelos percalços à frente.
Entendeu que o errado estava apenas em sua mente.
Concluiu que felicidade está em ser sempre paciente.

Decidiu então que este seria para sempre seu ponto de vista.
Decidiu que a vida vale a pena se se é um pouco otimista.

Questão de opinião.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Freak


Alienígena. Alienígena. Alienígena.
É como eu me sinto, bem longe do meu planeta.
Da minha terra natal.
Do meu povo original.
Se é que isso existe.

Você já se sentiu assim?
Como o único no mundo?
Sozinho, mesmo com tantos em volta.
Você já se sentiu assim?
Como se ninguém se importasse?
Sozinho, perdido como uma alma solta.

Pode parecer drama, mas que seja drama então.
Porque eu sinto, eu realmente sinto que não pertenço.
Não pertenço a lugar nenhum.
Eu sou menos do que mais um.
Se é que chego a ser isso.

Você já se sentiu assim?
Como o único no mundo?
Sozinho, mesmo com tantos em volta.
Você já se sentiu assim?
Como se ninguém se importasse?
Sozinho, perdido como uma alma solta.

Há, por aí, alguém que queria salvar minha alma?
Há, por aí, alguém pra me proteger do frio?
Há alguém pra salvar minha alma?

Você já se sentiu assim?
Sozinho?

domingo, 24 de abril de 2011

Vícios


Algumas coisas - é melhor que passem em branco.
Algumas coisas - é melhor que se guardem pra si.
Um bom amortecedor pode evitar um solavanco.
Então eu vou manter os meus vícios guardados aqui.

As coisas pequenas que só eu dou valor.
As coisas exageradas que só eu vou entender.
Minúsculos objetos que merecem amor.
Grandes sentimentos que só eu vou conhecer.

Texturas.
Materiais.
Cores.
Sons.
Músicas.
Pessoas.
Belezas.
Vícios.
Vícios.
Vícios.

Algumas coisas - é melhor que passem em branco.
Algumas coisas - é melhor que se guardem pra si.
Um bom amortecedor pode evitar um solavanco.
Então eu vou manter os meus vícios guardados aqui.

Muito bem guardados.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Vigésima Quinta Hora


É a vigésima quinta hora, a noite mais profunda.
Nenhum outro dia te permite uma coisa assim.
É invenção do homem e essa sua mente imunda.
Limitar e calcular o tempo, sem começo, sem fim.

O céu não tem estrelas, estão todas encobertas.
Em compensação, a lua está lá, brilhando.
Ela está cheia e eu em baixo das cobertas.
Esse é meu próprio fantasma gritando.

Eu levanto, respiro, e abro a porta.
Só pra garantir que minha alma não tá morta.

Eu ignoro as minhas roupas, respiro, e saio correndo.
Só pra não sentir o meu espírito morrendo.

E eu corro em direção à lua.
Pisando descalço no asfalto da rua.
Eu corro em direção à lua.

Eu tropeço algumas vezes, caio, machuco meu joelho
Eu realmente não ligo, só preciso correr.
Eu deixo pra trás minha cama, o conforto e o espelho.
Deixo pra trás o eu que precisa morrer.

Eu esqueço, eu respiro, eu tento a sorte.
Porque o brilho vai me deixar mais forte.

Eu choro, eu grito, eu estou contra o vento.
Eu uivo, eu quero que escutem meu lamento.

Eu corro em direção à lua.
Pisando apressado no asfalto da rua.
Eu corro em direção à lua.

É a vigésima quinta hora, a noite mais profunda.
Nenhum outro dia te permite coisa assim.
E de todas as armadilhas da minha mente imunda
Uma corrida atrás de um brilho sem fim.

O céu não tem estrelas, estão todas encobertas.
E a lua continua lá, linda, vivendo.
Ela está cheia e eu em baixo das cobertas.
Mas a minha alma continua correndo.