domingo, 26 de abril de 2009

Afã


Olha lá pra ele, que idiota. Tentando se concentrar e escrever poemas românticos. Me é digno até de compaixão. Até parece que ele não sabe que pra falar de amor é preciso ao menos saber o que é isso. Não sei se ele é muito hipócrita ou muito ingênuo mesmo. Quem sabe até os dois.
Olha lá! Ele faz cara de quem não sabe quem ele é ou o que está fazendo ali, com aquele caderninho e com aquela caneta. É realmente patético. Patético e convincente. O que será que ele está pensando?
Tudo que ele tem são letras e palavras vazias, assim como seus olhos. Suas olheiras e a barba mal feita são só reflexos de uma expressão abatida, acachapada. Talvez ele se sinta abjeto, um nada, um objeto.
Tudo que ele tem são letras e palavras vazias, assim como os seus olhos.
Ás vezes ele para de escrever, talvez para pensar. Ou não. Talvez ele pare por simplesmente não ter motivo para continuar.
Pergunto-me se ele notou a minha presença, que o observa o tempo todo, mas logo em seguida respondo a minha dúvida olhando fundo nos olhos dele – os meus olhos.
Claro que ele notou. Ele é nada mais que o meu reflexo em um espelho.

3 comentários:

  1. que mentira, ex.
    sou testemunha viva de que esses "olhos vazios" conhecem sim o amor.
    de diversas formas,inclusive.

    fikdik ;*

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  2. Rapaz, esse ficou muito genial e fascinante, tem tantos outros bons por aqui mas com certeza aqui está um dos meus favoritos! Sugoi!

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  3. Matheus, vc é simplesmente formidável! *_*

    são 4:20 da manhã, e eu não me canso de ler seus poemas *_*

    Parabéns, MESMO!

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