segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Crise


Eu queria acreditar nas mentiras que eu mesmo conto pra mim.
Eu queria ter certeza, no começo, de que pra frente não seria assim.
Eu queria que as coisas fossem mais fáceis, que não doesse tanto.
Eu precisava me iludir e é o que acontece, a alma jogada num canto.
Todas as coisas que eu disse ainda são verdades, e vão continuar sendo.
Destruído por mim mesmo, pois não tenho alma e continuo vendo
Enquanto eu estou aqui, sibrevivevendo sem ar, sendo apunhalado.
Enquanto vou perdendo, de propósito mas sem querer, o que tenho ao seu lado.

Eu quero ficar, eu quero partir.
Eu sequer tenho pra onde ir.
Eu quero acordar, eu quero dormir.
Eu quero parar de cair.

Eu queria querer, saber o que quero, querer sem querer querer.
Eu queria saber jurar, por Deus, não ter medo de prometer.
Eu queria saber ser bom tanto quanto sei reclamar.
Eu queria rir sem ser de nervoso e saber o que fazer pra não pirar.
Eu queria ter minha cabeça certa, eu preciso nascer de novo.
Quero a barriga da minha mãe aberta, quero voltar pro meu ovo.
Eu queria poder olhar pra você e dizer que sou o melhor, mas não sou.
Eu queria não ser tão complicado, ser mais fácil. Te salvar como me salvou.

Mas eu não sei. Eu não sei ser tudo isso.

Eu quero ficar, eu quero partir.
Eu sequer tenho pra onde ir.
Eu quero acordar, eu quero dormir.
Não consigo parar de cair.

É uma queda sem fim, como no pior pesadelo.
E quanto mais fundo, mais frio como gelo.
É um círculo sem fim, eu não encontro saída.
É uma droga de noite, é uma merda de vida.

Eu quero ficar, eu quero partir.
Eu sequer tenho pra onde ir.
Eu quero acordar, eu quero dormir.
Eu quero parar de cair.