sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Masoquismo


Como é difícil, ah, como é difícil conciliar.
A vontade própria, o egoísmo, com o maldito verbo amar.
Não que eu esteja reclamando, o amor nos faz brilhar.
Mas é difícil, ah, como é difícil.

Durante toda a vida, a gente sofre com desilusão.
Vai construindo muro atrás de muro, protegendo o coração.
Vai fazendo descaso do sentimento alheio, me diz aí se não.
Aí vem um desgraçado, e só olhando, põe os muros no chão.

A gente fica tão sensível, como uma ostra sem a concha.
Com a pérola lá, exposta, e por muito pouco não desmancha.
Fica entupido de palavras mas a língua não deslancha.
Você joga a isca, mas é na sua boca que o anzol engancha.

É uma antítese surreal, a gente tem que ser forte além de sensível.
Apanha e sofre o quanto quiser, mas mantém o sorriso visível.
Ignorar a própria angústia pra compensar o do outro é plausível.
Mas amar de verdade sem manter o altruísmo, ah, é impossível.

É tudo muito frágil, é uma felicidade esquisita.
Tudo sempre vira choro, mas a gente é masoquista.
Continua lutando até que escurece a vista.
Insiste na mesma coisa, foda-se o resto da lista.

Mas como eu já disse, eu juro que não estou reclamando.
Mas é que as coisas são assim, estou apenas divagando.
A gente sofre porque quer, mesmo que estejamos negando.
Mas olha, não se preocupe. Eu te amo mesmo te xingando.