sábado, 19 de fevereiro de 2011

Vigésima Quinta Hora


É a vigésima quinta hora, a noite mais profunda.
Nenhum outro dia te permite uma coisa assim.
É invenção do homem e essa sua mente imunda.
Limitar e calcular o tempo, sem começo, sem fim.

O céu não tem estrelas, estão todas encobertas.
Em compensação, a lua está lá, brilhando.
Ela está cheia e eu em baixo das cobertas.
Esse é meu próprio fantasma gritando.

Eu levanto, respiro, e abro a porta.
Só pra garantir que minha alma não tá morta.

Eu ignoro as minhas roupas, respiro, e saio correndo.
Só pra não sentir o meu espírito morrendo.

E eu corro em direção à lua.
Pisando descalço no asfalto da rua.
Eu corro em direção à lua.

Eu tropeço algumas vezes, caio, machuco meu joelho
Eu realmente não ligo, só preciso correr.
Eu deixo pra trás minha cama, o conforto e o espelho.
Deixo pra trás o eu que precisa morrer.

Eu esqueço, eu respiro, eu tento a sorte.
Porque o brilho vai me deixar mais forte.

Eu choro, eu grito, eu estou contra o vento.
Eu uivo, eu quero que escutem meu lamento.

Eu corro em direção à lua.
Pisando apressado no asfalto da rua.
Eu corro em direção à lua.

É a vigésima quinta hora, a noite mais profunda.
Nenhum outro dia te permite coisa assim.
E de todas as armadilhas da minha mente imunda
Uma corrida atrás de um brilho sem fim.

O céu não tem estrelas, estão todas encobertas.
E a lua continua lá, linda, vivendo.
Ela está cheia e eu em baixo das cobertas.
Mas a minha alma continua correndo.

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